|
|
 |
|
Juan Pablo Lopes é jornalista, autor do livro-reportagem Legends: Identidades Secretas, que mostra a relação entre o fã e seu personagem favorito, abordando seus aspectos psicológicos e sociais.
Formado em Jornalismo pela Unip, além do gosto por super-heróis, admira esportes e fica ligado em diversos assuntos.
|
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
|
Domingo, Setembro 16, 2007
Esporte na delegacia
Nos últimos dias temos visto o esporte como um dos assuntos centrais de outra editoria, a de polícia. A ?eterna? crise do Sport Clube Corinthians Paulista e a espionagem da McLaren viraram o assunto da semana nos veículos de comunicação e, é claro, nos bares, praças e horários de almoço de grande parte das pessoas.
No caso MSI / Corinthians, desde o final de 2004, quando a parceria foi formalizada, já havia indícios de que algo de podre envolvia essa jogada. O time de parque São Jorge, comandado por Alberto Dualib, resolveu ignorar os alertas de toda a imprensa sobre a possível ilegalidade da MSI, matou a bola no peito, colocou no chão e seguiu em frente, comemorando o polêmico campeonato brasileiro de 2005. Aliás, esse campeonato já havia trazido o futebol para as páginas policiais, com o caso da Máfia do Apito que, até agora, não deu em nada.
Voltando ao Corinthians, alguns dos seus torcedores na época brincavam, ?ganhar roubado é mais gostoso?, ?se essa parceria trouxer dinheiro e o Timão for campeão, não quero nem saber se é da máfia?. Porém, hoje o que se vê é grande parte dos corintianos lamentando os estragos desta parceria que jogou um dos maiores times do país em um mar de lama sem fim.
A grande mídia brasileira foi uma das responsáveis por mostrar a realidade desta parceria e, a cada dia traz novas denuncias, como a da revista Veja desta semana, que menciona o ex-ministro José Dirceu como um dos envolvidos no apoio a MSI.
No entanto, a mais importante reportagem sobre o assunto partiu do jornalista Bob Fernandes, do Terra Magazine e da Folha de S. Paulo, que trouxe a transcrição de ligações gravadas pela Polícia Federal. Nelas são mostrados acordos de proteção do mafioso russo Boris Berezovski, lavagem de dinheiro e emissão de notas fiscais frias pela administração do clube.
Na Europa, as equipes líderes do campeonato de Fórmula 1, McLaren e Ferrari, também ganharam as páginas policiais ao serem envolvidas em um caso de espionagem. A mídia mais uma vez trouxe sua contribuição publicando a troca de e-mails entre Pedro de La Rosa e Fernando Alonso, pilotos da equipe inglesa, que discutiam sobre o uso do material obtido por meio de um ex-engenheiro da escuderia italiana.
No continente europeu, também já houve outros casos no futebol que chegaram as páginas policiais. O mais recente foi o envolvimento de Juventus, Fiorentina, Lazio e Milan com apostas ilegais e manipulação de resultados. Todos os clubes foram punidos, sendo que a Juventus, que havia sido campeã italiana, foi rebaixada (bem como Lazio e a Fiorentina) para 2ª Divisão e ainda perdeu o título do Cálcio da temporada 2005/2006.
No caso da Fórmula 1, este ano, a McLaren foi punida pela FIA, perdendo os pontos obtidos no campeonato da categoria no mundial de construtores e tendo que pagar uma multa de US$ 100 milhões. Assim como os jogadores dos clubes italianos os pilotos da escuderia britânica foram absolvidos.
Aqui no Brasil o Corinthians segue em sua crise. Enquanto isso, o presidente Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Rubens Approbato Machado, que também é conselheiro do Corinthians, propôs o acréscimo de um parágrafo (5º) no artigo 50 da Lei ?Pelé?, que prevê a punição das entidades que praticarem atos previstos na Lei 9.613/98 (?lavagem de dinheiro?).
A proposta inclui, ainda, a introdução de um artigo no CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) instituindo ?a pena de perda de pontos em disputa, a favor dos adversários; suspensão da competição e descenso para divisão inferior?. Em caso de reincidência, a equipe poderá ser extinta.
No Brasil da pizza, um conselheiro do próprio time envolvido no escândalo demonstra boa vontade na punição dos responsáveis. Resta saber se após a comprovação das denúncias a sugestão feita pelo jurista já vai estar inclusa no atrasado Código Desportivo brasileiro e se haverá alguma punição.
Neste imbróglio envolvendo esporte e polícia o que se mostra mais latente é a importância da imprensa em divulgar os fatos e mostrar para sociedade o que ocorre nos bastidores desses esportes.
Entretanto, a imprensa não pode se esquecer de que existem outras coisas além das crises para serem exibidas nos seus programas esportivos e mesas redondas e não utilizem todo o seu tempo para discutir apenas um clube cedendo pouquíssimo espaço para os outros que estão envolvidos na situação como vem ocorrendo.
Sexta-feira, Setembro 07, 2007
Segunda parte de documentário sobre Christopher Reeve será lançado em novembro nos EUA
 A segunda parte do documentário feito por Matthew, filho de Christopher Reeve, sobre a luta do eterno Superman dos cinemas para caminhar novamente, será lançado em DVD no dia 06 de novembro, nos Estados Unidos, segundo o site da Variety. Com aproximadamente 102 minutos, o filme faz um retrato detalhado de Christopher e Dana Reeve após a queda do ator de um cavalo, em 1995, que o deixou paralítico.
O documentário traz entrevistas com Reeve, médicos e fisioterapeutas de suas sessões de reabilitação, onde mover um dedo era um ato altamente dramático. Além de mostrar a defesa do astro em prol de pesquisas com células-tronco para auxiliar vítimas de lesões da medula espinhal.
Produzido em um período de dois anos, o projeto da Art Alliance America?s, "Hope in Motion" (sem título no Brasil), contém duas partes de uma série que era planejada para ser uma trilogia, mas Reeve faleceu antes que terceiro segmento pudesse ser completado. Já a primeira parte foi ao ar em 2002, na rede ABC, durante a premiação do Emmy.
?É incrivelmente inspirador. Muitos de nós pensávamos que sabíamos tudo sobre esta história, mas você verá coisas nesse filme que nunca se viu. Sempre fui fã dele como ator e acompanhei sua história, mas nunca soube que depois do acidente ele conseguiria fazer coisas como levantar os braços. Esse documentário mostra o progresso que Reeve teve lutando contra as probabilidades?, disse Joe Amodei, presidente da Art Alliance.
A Art Alliance America?s está montando uma campanha agressiva para distribuir o DVD em escolas, centros comunitários e hospitais. ?Nós estamos constantemente na busca de títulos que posam educar e entreter ao mesmo tempo?, explica Amodei.
Uma parcela da venda de "Hope in Motion" será doada para a Fundação Christopher e Dana Reeve.
Ps: Uma versão resumida desta matéria está publicada no site Minha notícia do iG.
Sábado, Setembro 01, 2007
Assessor de imprensa de Tom Welling afirma que ator não será Superman em ?Liga da Justiça?
 Depois de Al Gough, co-criador de Smallville, desmentir a informação publicada no site IESB de que o astro da série, Tom Welling, vestiria o uniforme do Homem de Aço no filme da Liga da Justiça chegou à vez do assessor de imprensa do ator se pronunciar.
Como na última semana, inúmeros rumores começaram a se espalhar pela Internet sobre Welling estar próximo de ser o Superman no longa-metragem da Warner Bros, a equipe do site ENI (Entertainment News International), decidiu procurar o assessor da estrela de Smallville, Shea Martin, para verificar se havia alguma verdade nessa história.
?Isso tudo é pura especulação. Eu penso que o rumor começou recentemente em um site da Web muito desinformado. (...) Absolutamente isso não é verdade!?, respondeu Martin.
Diversos boatos tem se multiplicado pela internet em torno de um dos filmes mais esperados pelos fãs de quadrinhos. Eles falam desde marcianos brancos até a morte de um dos heróis da Liga.
Enquanto isso, George Miller (Happy Feet) se mantém como o mais forte candidato a dirigir o longa-metragem que tem roteiro de Kieran e Michele Mulroney e o lançamento previsto para a metade de 2009 ou início de 2010.
Nenhuma informação sobre o filme da Liga da Justiça foi confirmada pela Warner Bros até o momento. Sendo assim, os fãs continuam esperando informações oficiais sobre o longa.
Ps: Em tempo: essa notícia também está publicada no site do iG, para acessá-la clique aqui.
Tom Welling como Superman em "Liga da Justiça" é rumor, revela Al Gough
 O site Superman Homepage, especialista no Homem de Aço, conversou com Al Gough (co-criador de "Smallville') e revelou nesse sábado (25//8) que Tom Welling não esteve próximo de se tornar o Superman do filme da "Liga Justiça" como foi noticiado.
Quando o site questionou o co-criador de Smallvile a respeito ele respondeu, "não aconteceu, não acontecerá, ele tem contrato com Smallville até a 8ª Temporada".
O site IESB, que vem publicando diversas informações sobre o filme da Liga, rapidamente postou em seu site que confirmou a informação de que Welling estaria cotado para ser Superman no filme da "Liga da Justiça", com três fontes diferentes.
Porém o site colocou um adendo, "acredite em mim, a IESB será a primeira a postar uma retratação dessa história se ficar provado que está errada, mas nesse momento, isso é o que estamos ouvindo".
Já foram publicadas diversas informações diferentes sobre o filme até o momento.
Inicialmente ele seria realizado em live-action (com atores) e Brandon Routh e Christian Bale estavam garantidos nos papéis de Superman e Batman.
Posteriormente foi noticiado que Routh e Bale estariam fora. Mais tarde, foi dito que o filme seria realizado com a tecnologia de captação de movimentos (CGI), utilizada em Expresso Polar e Beowulf.
A última informação sobre o filme da Liga é a de que Welling seria o Homem de Aço.
Nenhum dos rumores foi confirmado até o momento. Agora é aguardar para ver qual informação será validada pela Warner.
Encontrando um caminho
 Nos últimos dias tenho pensado em como exercer minha função de Jornalista, sem atrapalhar o meu trabalho oficial e que fosse além desse Blog. Tenho especulado diversas opções e, por um acaso do destino (mais uma vez) a oportunidade bateu a minha porta.
Sou fã de esportes e, num passado não muito distante sonhava em ser locutor esportivo, porém minhas experiências na faculdade com as narrações não foram das melhores. Sai-me melhor apresentando programas de TV e Rádio, outro sonho no jornalismo.
Pensei, em um primeiro momento em me embrenhar no mundo do esporte nos finais de semana para exercer minha profissão, mas percebi que não é algo tão fácil, precisaria de bons contatos, tempo e de me indispor no meu relacionamento conjugal (minha noiva ia querer me matar). Além disso, essa é uma área que exige muitas viagens para cobrir times e não tenho mais a vontade que tinha de correr o mundo atrás de uma bola de futebol. Hoje quero ficar em casa e curtir minha futura esposa e futuros filhos.
Como já coloquei nesse Blog, sou um fã de Histórias em Quadrinhos, como se pode perceber pelo próprio nome do Blog, especialmente do Superman. Isso pode até parecer coisa de criança, porém existem sites especializados no assunto e o tema é tratado como Cultura em geral. E, como disse, por um acaso uma luz apareceu em meu caminho.
Estava lendo as notícias na Internet, como sempre faço e vi uma matéria no site "Minha Notícia" do iG que dizia que Tom Welling, astro de Smallvile, seria o novo Superman no filme da Liga da Justiça. Achei estranho, mas fui ler a nova informação e percebi que a matéria afirmava que a Warner Bros já havia confirmado que Brandon Routh e Christian Bale, atuais Superman e Batman, respectivamente, estavam fora do filme.
Eu tenho o costume de pesquisar sobre o super-herói em sites internacionais e sabia que a notícia não havia sido confirmada pela Warner, por isso, resolvi confirmar a informação. Após pesquisar tive certeza de que as informações até o momento, são rumores obtidas pelo site IESB e, logo em seguida a informação de que Welling seria Superman foi desmentida por Al Gough, co-criador de Smallville.
Meu instinto de jornalista me direcionava ao dever de corrigir a informação dada pelo site "Minha Notícia" e comecei a tentar postar um comentário na matéria, como qualquer leitor comum mostrando que havia novas informações. Resultado? Nenhum, os comentários não eram publicados, sabe-se lá por que (segundo o site pode ter havido um problema no sistema de postagem dos comentários).
Percebi, então que estava seguindo o caminho errado, era hora de ser jornalista de verdade, a oportunidade havia batido na minha testa e eu não a enxergava diante de meus olhos.
Meu inglês é intermediário, mas até que consigo me virar na tradução de uma matéria e foi o que fiz, corri atrás da informação completa. Consultei a informação da Superman Homepage, desmentindo a história e conferi a página da IESB que, àquela altura, já se defendia do desmentido.
Traduzi as informações e ?voilá?, escrevi uma matéria com os novos fatos. Mandei a matéria para ao site e, ?voilá? novamente, ela foi publicada, está ana primeira página do iG e meu dever de jornalista cumprido ao passar a informação correta ao público. ( Tom Welling como Superman em "Liga da Justiça" é rumor, revela Al Gough)
Vale salientar que enviei também um e-mail ao site questionando o porquê do meu comentário não ter sido publicado. O site deu todo apoio à correção que gostaria de fazer na resposta do e-mail, e sugeriu o envio da matéria corrigindo a informação. No entanto, a verdade é que só li o e-mail depois que já havia feito a matéria e enviado para o site, o que me deixou bastante feliz.
Para encerrar, vi uma das possibilidades que havia começado a pensar para exercer minha profissão sem atrapalhar meu emprego atual e sem comprometer o meu final de semana aparecer na minha tela de computador. Escrever sobre temas relacionados a super-heróis, como fiz no meu livro Legends ? Identidades Secretas, é unir novamente duas paixões o mundo fantástico do imaginário das HQs e a também delirante realidade do jornalismo.
Falando nisso...
De aproveitadores o Brasil está cheio e disso todo mundo sabe. O que traz indignação é a forma como alguns se aproveitam das situações.
Nesse dia 17/08 os parentes das vítimas do vôo 3054 fizeram um ato publico no aeroporto de Congonhas e no Salgado Filho em Porto Alegre, de onde partiu o avião que se chocou com o prédio da TAM. Ato esse totalmente pacífico, silencioso e, sobretudo, justo, afinal, eles estão mobilizados pelos seus parentes que foram afetados diretamente pela tragédia.
Porém no centro de São Paulo, o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o Cansei, foi fazer seu ato "em solidariedade com os familiares e amigos das vítimas do acidente aéreo ocorrido no último dia 17 de julho". Como diria o saudoso Bussunda, "fala sério", alguém acredita que o ato foi em favor das vítimas?
O ato público do Cansei tem um objetivo muito maior que a solidariedade com os parentes, o de atacar o Governo, o que, diga-se, é de todo direito.
Não se contesta a proposta do movimento, mas o que causa indignação é o fato de se aproveitar de uma tragédia para fins políticos e a falta de respeito com o cidadão e com os próprios parentes das vítimas como mostra a matéria do G1 ( http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL89793-5605,00.html).
No entanto, ao assistir os telejornais ontem o telespectador também poderia ter colocado um nariz de palhaço e feito seu protesto. Isso por conta das declarações do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), Luiz Flávio Borges D'Urso, um dos líderes do Cansei. O advogado afirmou não ter ouvido as vaias para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de parte do público em evento realizado nesta sexta-feira, que foram mostradas em alto e bom som pelas matérias.
Os simpatizantes do Cansei tem todo o direito de contestar o Governo, bem como de se solidarizar com as vítimas de acidentes aéreos, balas perdidas, corrupção e outros temas dos quais não só os fundadores do Cansei, mas toda a população está cansada. O que os líderes do movimento não podem esquecer é de ser coerentes e verdadeiros, pois para criticar aqueles que, segundo eles próprios, têm feito o Brasil de palhaço não se pode seguir o exemplo criticado e fazer o mesmo com o cidadão.
Um mês depois...
Do acidente com o vôo 3054 da TAM ainda faltam cinco corpos para serem identificados, o que é até compreensível, uma vez que, provavelmente, os corpos que estavam próximos as asas do avião podem ter sido praticamente destruídos com a explosão, o que dificulta o reconhecimento mesmo do DNA.
Muitos parentes (ou a mídia) reclamaram da demora na identificação dos familiares que estavam a bordo, mas poucos se preocuparam em mencionar que, por mais doloroso que seja, a muitos dos corpos sofreu com a ação de uma temperatura de mais de 1000ºC (próxima a de cremação) chegaram a quase virar pó.
É importante também salientar que o IML de São Paulo simplesmente fechou para atender essa demanda, dando total atenção a situação e trabalhando durante todo esse período sem intervalos para possibilitar que os parentes fizessem um enterro digno para seus familiares.
Vale dizer aos parentes que reclamaram da demora que, independentemente da dor que estejam sentindo, não é justo acusar de falta de atenção ou incompetência o órgão responsável pelas identificações. Pelo que foi mostrado até agora por meio das declarações e ações da diretoria do IML é que a equipe está tendo toda dedicação com o caso e dando total apoio aqueles que ficaram.
Nesse um mês pós-acidente as investigações ainda não apresentaram dados conclusivos, porém as questões que foram mostradas trazem fortes suspeitas sobre falhas do próprio Airbus, da TAM e, menos prováveis, dos pilotos.
Os dados da caixa preta revelaram a aflição dos pilotos na conversa da cabine e que um dos manetes, o do reverso que estava travado, estaria na posição incorreta, o que levou a diversos especialistas a acusarem os comandantes do vôo. Porém informações sobre pousos anteriores, com o mesmo avião, mostraram que os pilotos acertaram a posição do manete o que, em tese, minimizaria a possibilidade de uma falha humana. Além disso, existe a possibilidade de uma falha mecânica, ou seja, o manete estaria na posição correta, mas o computador de bordo não teria reconhecido a ação do piloto. Alguns ainda insistem em acusar a pista de Congonhas, que aparentemente não teve culpa (apesar de todas as acusações logo após o acidente) no ocorrido.
O que mais chama a atenção nesse caso é o "esforço" da TAM em colocar seus pilotos para dar declarações dizendo que a pista é a culpada e a não menos "esforçada" Airbus em reforçar que já havia passado procedimentos sobre a forma correta de posicionar o manete do reverso travado.
Do que foi mostrado pelas investigações até agora e pelas ações da companhia aérea e da fabricante da aeronave, parece, que ambas tem culpa no cartório, seja pela manutenção inadequada, seja pela forma de desenvolvimento do avião, que tem o funcionamento do reverso diferente de aeronaves como o Boeing, por exemplo.
Mais uma vez fica claro que todo o esforço feito logo após o acidente de diversas partes em defender o seu peixe apenas tumultuou as investigações e beneficiou aqueles que queriam seu espaço na grande mídia, pois os parentes, como sempre, foram esquecidos.
A pressa é inimiga da perfeição
Precipitação, essa é a palavra que tem marcado os desdobramentos do acidente com o avião da TAM em São Paulo.
A vontade demasiada de políticos em levar uma vantagem sobre o acidente, a pressa do Governo em apagar a imagem negativa que o cobre na crise do apagão aéreo e da empresa aérea em tirar de seus ombros quaisquer responsabilidade. Além de equívocos na própria equipe que tem buscado provas em meio aos destroços têm mostrado a fragilidade no gerenciamento dessa crise.
Primeiro os políticos acusaram a pista do aeroporto como a causa do acidente, como já disse anteriormente antes mesmo de pensar na morte das vítimas, depois a empresa aérea afirmou que não havia nenhum problema com o avião do vôo 3054 e então as equipes retiraram e enviaram para análise as duas "caixas-pretas" (de dados e de voz) o Airbus.
Porém, a mídia começou a dar sua contribuição aos cidadãos: exibiu um vídeo que mostrava o avião muito acima da velocidade padrão de pouso em Congonhas, trouxe reportagens que relatavam falhas na aeronave dias antes do acidente e a negligência da empresa que, baseada em manuais, colocou vidas em risco. Mais adiante mostrou a falta de respeito de membros do Governo que, indignados com as acusações que recebiam da oposição comemoraram a notícia da constatação de defeitos no avião e tiveram que se retratar publicamente. E agora sai na internet a informação que a "caixa de voz" enviada para os Estados Unidos era apenas um gravador comum que a verdadeira caixa-preta fora encontrada há pouco.
De todos os lados houve precipitação nas declarações e, em alguns casos, nas ações. Acusações infundadas não deixaram de ser hipóteses, mas foram desmentidas por fatos novos, defesas impetuosas passaram a ser afirmações sem embasamento, ao serem contrariadas por relatos de problemas anteriores na aeronave, comemorações exageradas e fora de hora se tornaram desculpas a nação após serem flagradas e a eficiência na investigação dos fatos se tornou uma grande trapalhada com a constatação de que a prova encontrada não passava de um objeto um passageiro. Se a pressa é a inimiga da perfeição as reações do Governo, da empresa aérea e de oposicionistas a esse episódio fatídico é uma das provas disso.
Quarta-feira, Julho 18, 2007
Dejà vu
Atravessar a capital paulistana é uma rotina no dia-a-dia de que mora em São Paulo. Da Zona Leste para a Oeste, da Norte para a Sul, de região para região driblando o trânsito, correndo, quase parando, percorrendo dezenas, centenas de quilômetros durante o dia.
A rotina agitada de São Paulo mostra suas diversas facetas até durante a madrugada e seu povo cedo madruga, no ritmo da música: "Vambora, vambora, tá na hora, vambora".
Em 2001, um desses dias de rotina mudou drasticamente quando o paulistano chegava ao trabalho. No dia 11 de setembro era noticiado, por volta das 9 horas, o ataque terrorista as Torres Gêmeas do World Trade Center. A feição de cada cidadão era de perplexidade, todos ficavam olhando para a TV sem acreditar no que estavam vendo, principalmente após o desabamento de um dos grandes símbolos norte-americanos.
Essas feições puderam ser vistas quase 7 anos depois, neste último dia 17 de julho. A queda do avião da TAM, que atravessara a avenida e colidira com um prédio deixou os paulistanos atônitos como naquele dia 11 fatídico. A tragédia, agora, morava ao lado e muitos custavam, como da outra vez a crer no que estava acontecendo diante de seus olhos.
Na manhã do dia 18, mais uma vez, a sensação era de perplexidade, a cidade que não pára nunca parecia anestesiada, andando em câmera lenta como quem espera acordar do pesadelo.
Infelizmente não era um sonho, a cruel realidade batia as portas da cidade. Esperava-se um colapso no trânsito, ele não veio, previa-se um caos no entorno do aeroporto, os carros passavam tranqüilamente pelas redondezas.
À tarde, após muitas conversas sobre o acidente e várias visitas aos sites para acompanhar as notícias era chegada a hora de voltar para casa, atravessar novamente a cidade de volta ao lar. Muitos eram os caminhos, um passava em frente à tragédia. Foi por este percurso que muitos paulistanos seguiram.
Próximo ao local a movimentação da imprensa, polícia, bombeiros e CET já chamava a atenção, mas o acidente estava mais a frente. Ao chegar à área exata onde ocorreu a colisão, não houve motorista, pedestre, passageiro de ônibus que não tenha reduzido a velocidade de seu veículo ou dado um momento de total atenção a cena que saltava aos olhos.
A sensação de dejà vu era inevitável, a perplexidade, os rostos atônitos, as mãos levadas às cabeças, as expressões de tristeza, as pessoas cabisbaixas, a estrutura de concreto destruída, a cartilagem distorcida e o cheiro de queimado faziam lembrar as cenas de 11 de setembro de 2001. Ali, morreram quase 200 pessoas e o clima pesado debruçava-se sob os ombros de quem via a cena.
Alguns dirão que aqueles que desaceleraram sua vida por um instante para ver aquele prêdio destruído têm uma curiosidade mórbida. Prefiro pensar que quem passou pelo local e parou por alguns segundos para ver o desastre estava apenas rendendo sua homenagem aqueles que se foram.
Aproveitamento mórbido
 Logo após o desastre do vôo JJ 3054 da TAM, que colidiu com o prédio da TAM Express e um posto de gasolina após atravessar a Avenida Washington Luiz na tentativa de pouso frustada no Aeroporto de Congonhas, começaram a surgir versões para o acidente e políticos dizendo de quem seria a responsabilidade.
Será que esse era o momento de se especular quem é o culpado pela tragédia? Será que essa é a hora de se acusar quem quer que seja de ter participação direta ou indireta no fátidico desfecho daquela viagem? Não é meio mórbido se promover as custas de quase 200 mortos?
Recapitulando um pouco sobre as notícias que foram transmitidas logo após o acidente percebemos que a grande maioria eram especulações.
"O avião tocou a pista e derrapou"; "O piloto tentou arremeter"; "Faltam as ranhuras na pista o que gerou a aquaplanagem"; "A culpa é desse"; "A culpa é daquele"; "A culpa não é minha". Diziam especialistas e políticos falando do acidente enquanto, em meio aos escombros bombeiros procuravam, o mais importante e ao mesmo tempo mais improvável, sobreviventes.
Hoje (18/07) a tônica foi a mesma durante o dia, iniciada com a especulação e, posteriormente, com alguns fatos e testemunhos que começava a se montar o quebra cabeça.
Dentre as diversas versões cogitadas anteriormente, surge uma nova no final do Jornal Nacional. Um vídeo mostrava o pouso de duas aeronaves idênticas no mesmo dia, a primeira atravessava a pista de Congonhas em 11 segundos, a segunda, que foi parar do outro lado da avenida, percoria a mesma distância em apenas 3 segundos. O que, se comprovado, derrubaria uma série daquelas especulações feitas logo após a tragédia.
Durante as horas em que foram relatadas as informações sobre o desastre, muitos polítcos buscaram procurar culpados, algumas emissoras de TV, como de costume, trataram a morte com sensacionalismo e acusações e poucos se atentaram aos fatos.
O que se pode ver em relação ao acidente são verdades antigas e hipóteses. Dentre as verdades, temos a localização inadequada do Aeroporto, que fica em uma região de grande densidade demográfica, e o crescimento de procura desproporcional ao atendimento aeroportuário brasileiro. Quanto as hipóteses são muitas as váriaveis: a pista escorregadia de Congonhas, a falta de ranhuras no asfalto que contriburiam com a frenagem do avião, equipamentos inadequados ou obsoletos que colocam em risco a segurança de pousos, vôos e decolagens no país, problemas no equipamento da aeronave e uma possível falha humana.
O que temos até o momento são muito mais especulações do que fatos e acusar sem ter provas é um grave erro, pois quando (ou se) as conclusões das investigações apontarem o contrário muitos poderão queimar a língua. Porém, eles já conseguiram o que queriam, transferiram a culpa para o próximo, mancharam a imagem de alguns e sairam como defensores da moral e dos bons costumes.
No final das contas, os passageiros do vôo 3054, os tripulantes, caronas e funcionários da TAM Express, foram enterrados não só pelos escombros, mas pela vaidade e interesse de muita gente que só pensou no seu próprio umbigo transformando uma tragédia em um mórbido circo político.
|
|
 |
|
 |
|